quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Bolsonaro e uma onda conservadora no USJ

O mais grave problema relacionado à presença de um fascista como Bolsonaro no Congresso Nacional é o inevitável rebaixamento da discussão política que o combate a ele acarreta. Isso porque, em vez de estarmos travando debates relevantes, que de fato afetariam de maneira positiva a vida das pessoas, nos vemos obrigados, de tempos em tempos, a gastar disposição e energia rebatendo seus devaneios. Por exemplo: no atual estágio civilizatório, quando poderíamos estar propondo o fim da fracassada guerra às drogas e de todo o elevadíssimo custo social advindo dela - centenas de mortes, criminalização da pobreza, encarceramento em massa etc. -, acabamos eventualmente perdendo tempo nos envolvendo em discussões estéreis com os seguidores de Bolsonaro (os bolsonetes), que defendem a tortura e a decapitação de presidiários. Quando deveríamos estar cobrando do Executivo políticas públicas que visem à erradicação da LGBTfobia institucionalizada, somos obrigados a gastar energia esculachando Bolsonaro, que denuncia a existência de uma “ditadura gayzista” e a combate defendendo surras corretivas em jovens homossexuais. Quando deveríamos estar discutindo o aumento real dos salários pagos aos trabalhadores e a efetiva igualdade salarial entre os sexos, somos obrigados a perder tempo achincalhando Bolsonaro, que defende salários menores para mulheres (porque elas engravidam). Quando deveríamos estar propondo a radicalização da democracia, atualmente sequestrada pelo poder econômico das grandes corporações, somos obrigados a defendê-la dos ataques bolsonaristas, que pedem a volta da ditadura militar... E daí por diante. Em resumo, enquanto formos reféns do medo - alimentado pela sinistra possibilidade de retrocesso que figuras fascistas com voz dentro do parlamento podem alavancar -, por vezes deixaremos de avançar enquanto sociedade, pois gastamos boa parte de nosso capital político para preservar conquistas mínimas e desconstruir ideias estapafúrdias, que já deveriam ter sido enterradas no século XIX.

o USJ?

Há no Brasil a ascensão de uma agenda conservadora que não é nova, mas que há muito tempo vem se articulando em diferentes espaços de poder. E no USJ não poderia ser diferente. Quando deveríamos estar propondo ações para fortalecer a democracia universitária, nos deparamos cotidianamente com ações antidemocráticas por parte das autoridades constituídas, apoiadas pelos setores mais conservadores do USJ, e a tentativa constante de silenciar a voz dos estudantes, organizados em seus Centros acadêmicos, com desrespeito aos seus direitos de buscar a mudança daquilo que entendem como prejuízo para o bom funcionamento do curso e de uma universidade fomentadora do pensamento crítico. Invariavelmente, quem ganha é o conservadorismo.

Temos a esperança de que essa onda passe, pois 2016 tem tudo para ser um ano Perfeito.

Ariel Oliveira – Estudante do Curso de Ciências Contábeis

1 comentários:

Ariel Oliveira disse...
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