terça-feira, 15 de março de 2016

ESTUDANTES PROTESTAM CONTRA FECHAMENTO DE CURSO NO USJ

Segundo estudantes e professores, a Reitoria do USJ vem agindo de maneira velada sem fazer qualquer diálogo com a comunidade acadêmica, contrariando as promessas feitas durante campanha eleitoral.

Estudantes e professores do Curso de Ciências da Religião fizeram nesta segunda-feira (15) um ato públicono Centro Universitário Municipal de São José - USJ para protestar contra o sucateamento e consequente fechamento do curso. Contrariando as determinações das políticas educacionais, que priorizam os cursos de formação de professores, a atual Gestão do USJ adota a mesma postura das gestões anteriores: contribuir para o sucateamento e desmonte do Curso de Ciências da Religião.



Não há justificativa para o fechamento de um curso numa instituição pública de ensino superior. As diretrizes educacionais do País respeitam a importância do ensino religioso e não existem profissionais formados na área capazes de atender todas as escolas. Em São José, por exemplo, a disciplina vem sendo ministrada por professores habilitados em história, geografia, letras e outros, totalmente alheios à formação das Ciências da Religião. Por isso, o argumento da atual administração do USJ, de que o curso de Ciências da Religião não dá resultado, não se sustenta.

Fotos: Gláucia Schmitt

Nota dos Estudantes, publicada no dia 14/03/2016.
Amig@s,

No dia 12/03/16 nós, estudantes e egressos de Ciências da Religião, além de colaboradores de outros cursos, realizamos uma manifestação no evento de Formatura da USJ. Nosso compromisso era entregar aos presentes o discurso censurado do paraninfo Prof. Felipe e demonstrar, através das faixas que levamos, nosso descontentamento com o tratamento dispensado ao Curso de Ciências da Religião pela administração municipal e pelo Magnífico Reitor Juarez Perfeito – agora à frente da universidade.

Nossas faixas diziam: “NÃO AO FECHAMENTO DO CURSO DE CIÊNCIAS DA RELIGIÃO USJ” e “ADELIANA E JUAREZ, PERFEITO (S) PARA QUEM?”

Abrimos as faixas durante o discurso do paraninfo de uma das turmas – que foi conduzido a ser supostamente representante de todos. Nos posicionamos rente à parede no fundo e silenciosamente abrimos nossas faixas. Em paralelo, fizemos circular de mão em mão o discurso que, naquela noite, não seria proferido no púlpito. Com truculência, organizadores e funcionários, tão vítimas quanto todos nós desse sistema que sucateia a educação, decidiram arrancar as nossas faixas e nos expulsar do CATI. Fomos empurrados e nos tiraram e não devolveram uma de nossas faixas. Gostaríamos de ter ficado em silêncio... Caso alguém que lá estava tenha ouvido barulho, foi daí que decorreu.

Nosso protesto era mudo, como mudos ficaríamos sem o discurso do paraninfo. Imprimimos o discurso porque é assim que sabemos nos fazer ouvir. Já do lado de fora, entregamos o discurso também aos guardas-municipais chamados para “conter o tumulto” – eles entenderam tão pouco quanto nós como um grupo de professores e estudantes em protesto silencioso e pacifico poderia significar tumulto. Mais uma vez, ao final do evento e do lado de fora, entregamos o discurso às pessoas que ainda não haviam recebido. Recebemos o apoio de muitos servidores da educação e da saúde que, por razões análogas às nossas, estão descontentes com a administração municipal, alguns deles em greve aguardando o cumprimento de acordo. Cumprimos com êxito nossa missão de chamar a atenção para a importância da educação pública, de qualidade e gratuita pela qual lutamos.
Deixamos claro que não entendemos ou aceitamos os critérios que classificam nosso curso como “investimento pouco eficiente”. Deixamos claro também que o cumprimento da lei por parte da prefeitura ofertando ensino religioso no turno regular das escolas, sinalizaria sua intenção em otimizar aquilo que considera “investimento sem retorno”.

Como é de esperar de quem luta no campo das ideias, não promovemos desordem ou tumulto. Infelizmente não conseguimos entregar o discurso ao nosso reitor. Haverá outras oportunidades, certamente. Mesmo assim, nossa mensagem foi transmitida: não estamos contentes com o cenário que vemos e esperamos uma atitude mais proativa da administração municipal e da reitoria na manutenção e fomento do nosso curso que é, em última análise, a manutenção e fomento dessa importante conquista da comunidade josefense que é a USJ.

Feitos os devidos esclarecimentos, parabenizamos aos bravos colegas que, mesmo contra todas as probabilidades, conseguiram concluir com êxito essa etapa. À vocês, nosso mais profundo respeito e nossa afirmação de que tentamos lutar pelo curso respeitando seu mais brilhante momento.

Parabéns aos formandos! Nós, seguiremos na luta!




2 comentários:

JANUÁRIO JÂNGAL disse...

O CURSO CDR ESTÁ VICIADO?
É lamentável o fechamento de um curso que poderia levar muita gente para um caminho autônomo, e que poderia proporcionar uma certa libertação dos ditames seculares da religião dominante no Brasil, facultando assim, um livre pensar de acadêmicos que buscam caminhos diversos para quebrar a hegemonia religiosa há muito arraigada na mente do povo brasileiro.
Acredito que há um erro de gestão do curso. Acho que os mentores não souberam agregar atrativos indispensáveis à multiplicidade religiosa dos tempos atuais. Por exemplo: quem observar com atenção a foto do grupo que protesta, verá que há um símbolo negro com duas letras grandes, brancas, "CR", e em baixo um crucifixo.
Como o curso (CDR) pode subsistir patrocinando apenas o símbolo do "cristianismo"? Isso já não é, em si mesmo, um tiro suicida? Quem assiste isso, conclui que o curso está viciado. É a perpetuação de um discurso único e monótono.
Para complicar a situação, como todos já sabem, a prefeitura não está preocupada em participar do debate político-religioso contemporâneo, não. Pagar para um professor licenciado, é aumentar os "gastos" públicos. Por que não fazer uma gambiarra? Paga-se a qualquer professor de letras, história, geografia, etc, (mais afinado com o "cristianismo"), e está tudo bem.
Não tem jeito. O curso está fadado ao fracasso desde o seu princípio. Caiu-se num ciclo mortal: o curso "não dá resultado" porque não tem demanda; e não tem demanda porque "não dá resultado".

renan vilela disse...

Amigo, você que tanto estuda não sabe a expressão natural do homem em simbolizar, claro que a cruz no caixa vem de um vertente religiosa, no entanto , a verdade que e aquele simbolo junta a caixa simboliza um caixão, logo quer dizer " enterro do curso de Ciências da religião" não há nenhum tipo de proselitismo.
Nota-se que falta um conhecimento da parte do senhor, e isso é lamentável, e que você fala oque não sabe, chega até ser irônico pois você tanto fala de um "vicio" e o mesmo da imagem só vê o simbolo cristão, lamentável, se informe mais.

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