quarta-feira, 27 de abril de 2016

REITORIA DISTORCE FATOS SOBRE O FECHAMENTO DO CURSO DE CR

RESPOSTA À NOTA DE ESCLARECIMENTO DA REITORIA

Texto publicado na página Luta pelo Curso de Ciências da Religião - USJ.

Registramos que o fechamento da reitoria foi decisão da administração, sem nenhum motivo ensejado pelo movimento de luta por Ciências da Religião (esse é o nome do curso). Aos que ainda tiverem dúvidas, somos estudantes de licenciatura, explicaremos quantas vezes for necessário.
Tudo o que diremos aqui, já dissemos em protocolos (sem resposta) à reitoria atual e à anterior. Percebendo a dificuldade de compreensão, não nos melindramos em esclarecer novamente.
Inicialmente, notamos o forte raciocínio tecnicista que insiste em conceber a educação como meio para a obtenção do fim – que nesse caso é o lucro. Compreendemos o conhecimento como aquilo que tem valor em si mesmo e que uma sociedade incapaz de pensar-se a si própria produz coisas inúteis, para vidas inúteis e obviamente, jamais está satisfeita. Quem sofre com isso é o mundo em que vivemos. Nossa proposta de educação vai além, muito além dos números. Mas já que aqui foram mencionados, novamente esclarecemos: o último vestibular para o Curso de Ciências da Religião teve 37 aprovados (18 pela cota de 70% e 19 pela cota de 30%) – recomendo que vejam a lista de aprovados, porque a lista de classificados (não sabemos a razão) só traz os números insistentemente repetidos por essa reitoria. Percebemos que a leitura rigorosa do Regimento não é um hábito, por isso explicamos: a segunda chamada dos 19 aprovados na cota de 30% seria legal e legítima, não houve a abertura da turma por falta de vontade. Talvez a mesma falta de vontade que motivou a exclusão unilaterial e sem aprovação em Conselho do Curso de Ciências da Religião do edital aberto para o vestibular de inverno. Vale registrar que decisão de tamanho impacto JAMAIS deveria ser tomada sem aprovação da comunidade acadêmica ao menos em Conselho – o recomendável é que o conceito de comunidade fosse expandido e todos participassem das decisões.
Ficamos felizes em ver que nossas sugestões não foram completamente ignoradas, já que essa nota afirma que pedimos “tratamento diferenciado”. Vamos discutir esse conceito: há quatro semestres o curso não tem turmas abertas – três deles sem nem mesmo realização de processo seletivo. O curso vem sendo esvaziado nesse período, não pensem que tomamos para nós as alegações de que não conseguimos conter a evasão. A evasão é uma realidade em todos os cursos de todas as instituições, a diferença está na forma como o gestor responsável por elas toma para si a responsabilidade. Houve diferenciação aí, e ela não partiu de nós.
Agora vamos discutir a diferenciação do processo seletivo simplificado: ele é legítimo, toda instituição pode decidir de que maneira vai selecionar seus candidatos, a proposta envolvia custo zero para a instituição, a proposta visava corrigir erros gravíssimos dessa gestão e da anterior que não abriram processo seletivo, a proposta é prevista no regimento para vagas remanescentes (art. 126), a proposta passaria obrigatoriamente pelo Conselho sendo ali legitimada. Diferenciado? Sim, é. É diferente da aceitação passiva de outrora. É também legal e previsto em regimento.
Vamos discutir a diferenciação da isenção de taxa de matrícula para licenciaturas (foi isso que sugerimos), prática comum e adotada pela maioria das universidades visando a corrigir o déficit da formação de professores para a educação básica. Não inventamos, não é apenas para CR, estendia-se para Pedagogia e qualquer outra licenciatura que o centro universitário viesse a ter. Diferente? Sim, é diferente – percebe a formação de professores como fundamental. Temos essa mania de achar que a educação é o caminho para a mudança social que sonhamos. Essa é nossa diferença.
Passemos para a o fechamento da reitoria como “forma de preservar a segurança dos alunos e funcionários”. Essa é de longe a mais fácil de contestar – temos a gravação em vídeo. Jamais ameaçamos funcionários, jamais depredamos o patrimônio que é nosso também, jamais colocamos em risco a nossa integridade física e a de terceiros. Podemos discutir a violência da ausência do curso do edital, a violência de decisões unilaterais tomadas em gabinetes ao lado das instituições privadas que se contorcem pela redução da sua fatia de mercado que a USJ simboliza, ou ainda a violência contra os que virão depois de nós – sem direito à formação tão importante no cenário mundial. Podemos discutir a violência de quem tenta criminalizar e reduzir um movimento pacífico que coloca apenas ideias em confronto. 
Sim, há muito a discutir. Seguiremos discutindo.


Recomendado para você